Verão, inverno e altitude: preciso mudar a tensão da corda?
Frio, calor, altitude e tipo de piso mexem com a corda e com a bola. Veja quando vale ajustar a tensão em 1 ou 2 kg e quando é melhor deixar como está.
Resposta curta: sim, mas menos do que parece. Frio, calor e altitude mudam de verdade como a bola sai da raquete, só que o ajuste útil quase sempre cabe em 1 a 2 kg (2 a 4 lb) para mais ou para menos. Quem sai de 24 kg (53 lb) para 19 kg (42 lb) porque esfriou não está corrigindo o clima, está trocando de raquete no meio do campeonato.
O que muda mais do que o número da tensão é o tipo de corda e o estado dela. Um poliéster velho num sábado de 12 graus é uma experiência bem pior do que o mesmo poliéster novo no mesmo frio. Antes de mexer na tensão por causa do tempo, vale conferir se a corda não está simplesmente vencida — o assunto está em quando trocar a corda da raquete.
Frio: a corda endurece e a bola morre
Abaixo de uns 15 graus, duas coisas acontecem ao mesmo tempo. A bola fica menos viva: quica mais baixo, sai mais pesada da raquete e exige mais braço para a mesma profundidade. E o poliéster, que já é uma corda rígida, fica ainda mais duro e perde aquele pouco de elasticidade que dava conforto e efeito.
O resultado é a sensação clássica de manhã fria: parece que você está batendo com uma tábua e a bola não chega no fundo. Ajustes que funcionam, em ordem de eficácia:
- Baixar 1 a 2 kg (2 a 4 lb) em relação à sua tensão de verão.
- Trocar para uma corda mais macia no inverno — multifilamento, nylon ou um híbrido com poliéster só nas verticais. Veja tipos de corda e encordoamento híbrido.
- Aquecer melhor e mais tempo. Bola nova ajuda mais do que 1 kg a menos.
Se você sente dor no cotovelo ou no ombro quando esfria, não resolva isso só com tensão: procure um profissional.
Calor e umidade: a bola voa e a corda cansa antes
No calor a bola fica mais viva, o ar fica menos denso e tudo sai mais rápido e mais longo. Quem joga solto e plano costuma sentir bolas escapando na linha de fundo em janeiro. Subir 1 kg (2 lb) dá um pouco mais de controle, e a corda também perde tensão mais rápido quando a raquete passa a tarde inteira no sol.
A umidade mexe mais com a corda do que com a bola. Tripa natural absorve umidade e é a mais sensível: em quadra descoberta no litoral, com garoa, ela sofre. Multifilamento aguenta bem, poliéster é praticamente indiferente. O que estraga mesmo é o combo calor extremo mais raquete fechada — e isso vale para o quadro também, como está em deixar a raquete no carro.
Altitude: o ajuste mais justificado de todos
De todos os fatores, altitude é o que mais pede mudança. Ar mais rarefeito significa menos resistência: a bola viaja mais, sobe mais no saque e o efeito segura menos. Quem mora no nível do mar e vai jogar um torneio em Brasília, Campos do Jordão ou numa cidade serrana sente a diferença na primeira meia hora.
Para altitudes na faixa de 1.000 a 1.700 metros, subir 1 a 2 kg (2 a 4 lb) costuma dar conta, junto com uma bola apropriada quando disponível. Padrões de referência: se você joga 24 kg (53 lb) na praia, teste 25 ou 26 kg (55 a 57 lb) na serra. E jogue mais efeito, porque é o topspin que traz a bola de volta para dentro.
Piso: saibro e quadra rápida destroem a corda de jeitos diferentes
No saibro os pontos são mais longos, então a corda leva mais impactos por hora de jogo. O pó entra entre os fios, aumenta o atrito e atrapalha o retorno das cordas à posição — você percebe pelos fios cruzados fora do lugar depois de dois games. Alinhar as cordas entre pontos ajuda de verdade, e não é frescura de profissional.
Na quadra rápida a corda sofre por abrasão: raspão no chão, bola felpuda, superfície áspera. Poliéster arrebenta mais por corte, multifilamento desfia. Já em pisos sintéticos com areia, o desgaste é parecido com o do saibro, com mais poeira presa na trama.
Sobre tensão por piso, a lógica é simples: no saibro a bola quica mais alto e mais lenta, e um pouco menos de tensão devolve profundidade; na rápida, a bola vem baixa e veloz, e um pouco mais de tensão dá controle. Estamos falando de 1 kg (2 lb), não de reinventar a raquete. O padrão de trama pesa aqui também — o assunto está em corda e tensão para 16x19 ou 18x20.
Como ajustar sem virar refém do termômetro
- Defina sua tensão base para a condição em que você joga 80% do tempo. Se ainda não tem uma, comece por como escolher a tensão.
- Anote na etiqueta do encordoamento: corda, tensão, data e piso.
- Mude uma variável por vez, sempre em 1 kg (2 lb). Duas mudanças juntas não ensinam nada.
- Se tem duas raquetes, encorde com 1 kg de diferença e escolha a do dia conforme o frio ou o calor.
- Para viagem a altitude ou torneio em piso diferente, encorde uns dias antes e treine com aquela raquete.
Na prática, a maioria dos jogadores de clube resolve o ano inteiro com duas tensões: a de verão e a de inverno, separadas por 1 ou 2 kg. Quando for encordoar, diga ao encordoador onde e em que época você vai jogar — isso muda a recomendação mais do que qualquer tabela. No app da Stringa você escolhe corda e tensão antes de deixar a raquete: veja as lojas perto de você.
Perguntas frequentes
Jogo de manhã no frio e à tarde no calor. Que tensão uso?
Use a tensão do horário em que você joga mais e mais a sério. Se são dois horários fixos e você tem duas raquetes, encorde uma 1 kg (2 lb) mais frouxa para a manhã fria e outra na sua tensão normal para a tarde. Com uma raquete só, fique na tensão do treino principal e resolva a manhã com aquecimento mais longo e bolas em bom estado.
Corda encordoada no frio fica mais tensa quando esquenta?
A tensão medida na máquina é a mesma; o que muda é como o material se comporta depois. Poliéster perde tensão com o tempo em qualquer clima e acelera esse processo no calor. Na prática, uma raquete encordoada no inverno e usada num dia de 35 graus vai parecer um pouco mais solta e viva. Não é motivo para pedir 1 kg a mais na hora de encordoar — é motivo para trocar a corda dentro do prazo normal de uso.
Saibro exige corda diferente de quadra rápida?
Exige mais atenção à durabilidade e à limpeza do que ao tipo em si. No saibro, quem bate com muito efeito costuma preferir poliéster pela resistência ao corte e pela tolerância a bolas altas; quem busca conforto pode ficar no multifilamento e aceitar trocas um pouco mais frequentes. Se você está pensando em mudar de categoria de corda, vale ler sair do poliéster para o multifilamento antes de decidir pelo piso.