Tensão da corda de tênis: como escolher o número certo para você
Kg ou lb, faixa recomendada da raquete, potência vs. controle: um guia prático para escolher a tensão certa da corda de tênis sem complicar o processo.
Tensão de corda é um dos assuntos que mais gera dúvida entre jogadores de clube: número alto é melhor? Baixo dá mais potência? A resposta começa pela faixa recomendada da própria raquete, e depois se ajusta pelo seu estilo de jogo.
Kg ou lb: é só uma unidade
No Brasil, a maioria das lojas trabalha com quilograma-força (kgf), mas boa parte dos fabricantes ainda imprime a faixa recomendada em libras (lb) na haste da raquete. A conversão é direta: 1 kgf equivale a aproximadamente 2,2 lb. Então uma faixa de "50–60 lb" corresponde a algo perto de "23–27 kg". Nenhuma unidade é "mais precisa" que a outra — o que importa é não misturar as duas na hora de pedir o encordoamento, para não errar por um fator de mais de duas vezes.
A faixa recomendada já vem na raquete
Toda raquete traz impressa, perto do grip ou no aro, uma faixa de tensão recomendada pelo fabricante — normalmente algo entre 22 e 30 kg (aproximadamente 50 a 65 lb), variando com o modelo. Essa faixa existe porque o próprio quadro (a estrutura da raquete) foi projetado para funcionar bem dentro desses limites: tensionar muito abaixo ou muito acima do intervalo pode acelerar o desgaste da raquete e mudar o comportamento da bola de forma imprevisível. Fugir bastante do intervalo recomendado é a exceção, não a regra.
Potência vs. controle
Dentro da faixa recomendada, a escolha entre um número mais baixo ou mais alto é sobre para onde você quer inclinar o comportamento da corda:
- Tensão mais baixa (perto do piso da faixa): a corda se comporta como um trampolim mais
solto, devolvendo mais energia para a bola. Resulta em mais potência e mais conforto no braço, mas com menos previsibilidade sobre onde a bola vai cair.
- Tensão mais alta (perto do topo da faixa): a corda fica mais firme, deforma menos no
contato, e devolve menos energia — o que dá mais sensação de controle, ao custo de exigir mais força própria do jogador para gerar potência.
Não existe tensão "certa" no absoluto: é uma troca entre as duas coisas, ajustada ao que falta no seu jogo.
Ajustando por estilo de jogo
Alguns pontos práticos que encordoadores costumam usar como ponto de partida:
- Iniciantes e jogadores recreativos: tendem a se beneficiar de tensões mais baixas dentro da
faixa, porque ainda estão desenvolvendo a técnica de gerar potência sozinhos e sentem menos vibração no braço.
- Jogadores que já batem com bastante potência própria: costumam preferir tensões mais altas
para não perder o controle da bola dentro da quadra.
- Quem sente dor no braço, cotovelo ou ombro: geralmente se dá melhor com tensões mais baixas,
que amortecem mais o impacto — combinado a uma corda mais macia (veja os tipos de corda de tênis).
- Poliéster x multifilamento/nylon na mesma tensão: poliéster costuma "jogar" mais firme do
que uma corda multifilamento ou de nylon na mesma tensão nominal, por ser um material mais rígido. Por isso é comum reduzir a tensão ao trocar de multifilamento para poliéster, para manter a sensação parecida — muitos encordoadores usam uma redução perto de 10% como ponto de partida.
E o híbrido?
Quando a raquete leva duas cordas diferentes — uma nos fios verticais (mains) e outra nos horizontais (crosses) — é comum também usar tensões diferentes para cada lado, buscando equilibrar as características de cada material. O tema tem espaço próprio: veja como funciona o encordoamento híbrido e quando vale a pena.
Não existe fórmula fechada
Tensão é ajuste fino, não ciência exata: fatores como umidade, altitude, calibre da corda e até o tempo desde o último encordoamento interferem no resultado final. O caminho mais seguro é começar no meio da faixa recomendada, jogar algumas sessões prestando atenção em como a bola se comporta, e ajustar 1 a 2 kg para cima ou para baixo no encordoamento seguinte. Poucos jogadores acertam a tensão ideal de primeira — é normal levar dois ou três ajustes até achar o ponto certo.
Ao pedir o encordoamento pelo app da Stringa, dá para salvar a última tensão usada na sua raquete e repetir ou ajustar o pedido em poucos toques da próxima vez.
Perguntas frequentes
Posso encordoar fora da faixa recomendada pela raquete?
É possível, mas não é recomendado como regra: a faixa existe porque o quadro da raquete foi projetado para funcionar bem dentro desses limites, e sair muito dela pode acelerar o desgaste da raquete e tornar o comportamento da bola menos previsível.
Tensão mais alta machuca menos o braço?
Geralmente é o contrário: tensões mais baixas costumam amortecer mais o impacto e reduzir a vibração transmitida ao braço, enquanto tensões altas tendem a devolver mais impacto seco — especialmente combinadas com cordas mais rígidas, como o poliéster.
Com que frequência devo reajustar a tensão?
Não há uma regra fixa, mas é comum revisar a tensão a cada duas ou três trocas de corda, principalmente se você mudou de material (por exemplo, de nylon para poliéster) ou percebeu mudança na sensação de jogo com o passar das semanas.