Quando trocar a corda da raquete: sinais e regra prática de uso
Como saber a hora certa de trocar a corda da raquete: a regra prática por frequência de jogo e os principais sinais de que a corda já perdeu a qualidade.
Uma dúvida comum entre jogadores de clube é: já está na hora de trocar a corda, ou dá para esperar mais um pouco? Diferente do que muita gente pensa, a resposta raramente é "espere a corda arrebentar". Corda perde qualidade bem antes disso, especialmente no caso do poliéster.
A regra prática mais usada
Uma referência simples, usada por muitos encordoadores e comentada com frequência entre profissionais, é: troque a corda tantas vezes por ano quanto você joga por semana. Quem joga uma vez por semana troca por volta de uma vez por ano; quem joga três vezes por semana troca a cada quatro meses, aproximadamente; quem joga todos os dias pode precisar trocar mensalmente ou até mais vezes.
É uma regra de bolso, não uma lei física — jogadores com toque mais agressivo desgastam a corda mais rápido que jogadores de rally mais controlado, e o clima (calor e umidade aceleram a perda de tensão) também interfere. Mas serve como ponto de partida para não deixar a corda "morrer" sem perceber.
Sinais de que a corda já morreu
Corda "morta" não significa corda arrebentada — significa corda que perdeu as propriedades que fazem ela funcionar bem. Alguns sinais para prestar atenção:
- Perda de tensão perceptível: a corda fica visivelmente mais frouxa ao toque, "boiando" mais
na moldura, e a raquete parece ter perdido a resposta que tinha quando nova.
- Menos controle, mesmo tensão: bolas que antes você controlava começam a sair mais longas ou
mais largas, sem mudança no seu swing — sinal de que a corda não está mais devolvendo a energia de forma previsível.
- Marcas e sulcos (poliéster e monofilamentos): cordas de poliéster costumam desenvolver
entalhes profundos nos pontos de cruzamento, e nesses pontos a corda fica mais fina e frágil.
- Desfiamento (multifilamento e tripa natural): cordas multifilamento tendem a "desfiar" —
pequenos filamentos da superfície começam a se soltar, indicando perda de estrutura interna.
- Vibração ou som diferente: algumas raquetes começam a soar "oco" ou vibrar de forma diferente
quando a corda perde tensão de forma significativa.
- Sensação de "prancha": a corda perde a elasticidade e passa a devolver a bola de forma seca,
quase sem resposta, mesmo em tensões que antes pareciam normais.
Se você reconhece dois ou três desses sinais ao mesmo tempo, é um bom indicativo de que vale trocar — independente de a corda ter ou não arrebentado.
Por que o poliéster morre antes de arrebentar
O poliéster é o material mais usado por jogadores de nível intermediário para cima, principalmente pela durabilidade contra ruptura. O problema é justamente esse: o poliéster é conhecido por perder tensão de forma relativamente rápida — muito antes de chegar perto de arrebentar. Um jogador que espera a corda de poliéster estourar para trocar normalmente já está jogando há semanas com uma corda "morta", que não entrega mais controle nem potência de forma consistente, mesmo com a raquete intacta e a corda inteira.
Por isso, para quem joga com poliéster de forma regular (duas vezes por semana ou mais), a recomendação prática costuma ser trocar por tempo — a cada quatro a seis semanas de uso regular — e não por ruptura. Já materiais como multifilamento e tripa natural tendem a avisar melhor pelo desfiamento visível antes de perder totalmente a qualidade, embora também sofram perda de tensão gradual. Para entender as diferenças entre os materiais, veja o guia de tipos de corda de tênis.
O que considerar na hora de trocar
Ao decidir trocar, vale revisar também se a tensão e o material ainda fazem sentido para o seu jogo atual — muita gente aproveita a troca de corda para reavaliar a tensão da corda de tênis que está usando, especialmente se mudou de material ou percebeu dor no braço nas últimas semanas.
Marcar a data e a tensão do último encordoamento facilita acompanhar esse ciclo. No app da Stringa, esse histórico fica salvo por raquete, então dá para ver quanto tempo faz desde a última troca e repetir o pedido com um toque quando chegar a hora.
Perguntas frequentes
Preciso trocar a corda mesmo se ela não arrebentar?
Sim, principalmente no caso do poliéster, que costuma perder tensão e propriedades de jogo bem antes de chegar perto de arrebentar. Esperar a ruptura geralmente significa jogar várias semanas com uma corda que já não responde como deveria.
Corda parada na raquete sem uso também perde qualidade?
Sim, ainda que mais devagar. Corda tensionada perde tensão gradualmente mesmo sem uso, por isso uma raquete guardada por meses tende a estar com a corda mais frouxa do que quando foi encordoada, mesmo sem ter sido jogada.
Multifilamento e tripa natural seguem a mesma regra do poliéster?
A lógica de acompanhar sinais de desgaste vale para todos os materiais, mas o padrão muda: essas cordas costumam avisar mais pelo desfiamento visível da superfície, enquanto o poliéster costuma avisar primeiro pela perda de tensão, sem sinal visual tão claro.