Tipos de corda de tênis: poliéster, multifilamento, nylon e tripa
Poliéster, multifilamento, nylon e tripa natural: as diferenças entre os tipos de corda de tênis, o calibre ideal e para qual jogador serve cada material.
Entrar numa loja de encordoamento e ver dezenas de opções de corda pode confundir quem não joga há muito tempo. Na prática, a maioria das cordas do mercado se encaixa em quatro famílias, cada uma com características bem diferentes.
Poliéster (monofilamento)
O poliéster é a corda mais usada por jogadores de nível intermediário para cima, principalmente por sua durabilidade e pelo controle que oferece. É um material rígido, de fio único (monofilamento), que resiste bem ao corte por outras cordas e mantém a raquete "obediente" mesmo em golpes com bastante rotação (spin).
O lado negativo é o conforto: por ser rígido, transmite mais impacto ao braço do que os outros materiais, o que pode ser um problema para quem tem histórico de dor no cotovelo ou ombro. Outro ponto de atenção, já tratado em detalhe no artigo sobre quando trocar a corda da raquete, é que o poliéster perde tensão relativamente rápido — costuma precisar de troca por tempo de uso, não só por ruptura.
Para quem serve: jogadores que batem com bastante potência e rotação própria, e que trocam de corda com frequência regular.
Multifilamento
O multifilamento é feito de centenas de microfilamentos finos entrelaçados, numa tentativa de reproduzir o comportamento da tripa natural por um custo menor. O resultado é uma corda bem mais confortável que o poliéster, com boa devolução de potência, e mais amigável para o braço.
Em troca dessa maciez, o multifilamento tem durabilidade menor — desfia com mais facilidade, principalmente se combinado com jogadores de muito spin ou com cordas de poliéster no mesmo jogo de cruzamento (mais sobre isso no artigo de encordoamento híbrido).
Para quem serve: jogadores recreativos e intermediários que priorizam conforto e potência, ou qualquer jogador com histórico de dor no braço.
Nylon (sintética / monofilamento de nylon)
O nylon é o material mais comum em cordas de entrada, e também aparece em versões multifilamento mais simples. É a opção mais equilibrada em custo-benefício: joga de forma razoável em potência e conforto, sem se destacar em nenhum quesito específico, e costuma ser mais barato que poliéster de marca ou multifilamento premium.
Para quem serve: iniciantes e jogadores casuais que ainda estão descobrindo suas preferências, ou qualquer pessoa que queira uma opção econômica para o dia a dia sem abrir mão de uma corda razoavelmente equilibrada.
Tripa natural
Feita a partir de fibra de intestino bovino processada, a tripa natural é considerada por muitos jogadores e encordoadores como a corda de melhor desempenho puro: maior conforto, melhor devolução de potência e a melhor manutenção de tensão ao longo do tempo entre todos os materiais.
O preço é a principal barreira — é, disparado, a opção mais cara do mercado — e ela também é mais sensível à umidade, podendo perder qualidade mais rápido em clima muito úmido se a raquete não for bem cuidada. Por isso é comum ver tripa natural combinada em híbrido com poliéster, unindo o conforto da tripa nos verticais com a durabilidade do poliéster nos horizontais.
Para quem serve: jogadores avançados dispostos a pagar mais por desempenho, geralmente em combinação híbrida para equilibrar custo e durabilidade.
Calibre (gauge): o outro lado da escolha
Além do material, toda corda tem um calibre — a espessura do fio, medida em milímetros. Na prática, a maioria das cordas de tênis fica entre 1.20 mm e 1.35 mm, numerada geralmente de 15 (mais grossa) a 18 ou 19 (mais fina), variando por fabricante:
- Calibres finos (1.20–1.25 mm): oferecem mais sensação de toque e mais capacidade de gerar
rotação (a corda "morde" mais a bola), mas se desgastam e arrebentam mais rápido.
- Calibres grossos (1.30–1.35 mm): duram mais, especialmente úteis para quem corta muita corda,
mas entregam menos sensação de toque e um pouco menos de potência.
Não existe calibre "melhor" — é outra troca entre sensação/spin e durabilidade, parecida com a lógica da tensão explicada no artigo sobre tensão da corda de tênis.
Testando sem comprometer o orçamento
Trocar de material de corda é uma das formas mais baratas de sentir diferença real no seu jogo — às vezes mais perceptível do que trocar de raquete. Pelo app da Stringa dá para ver o catálogo de cordas disponível em cada loja parceira antes de decidir, e comparar preço e material num só lugar.
Perguntas frequentes
Qual corda dura mais tempo?
Em geral, poliéster e tripa natural bem cuidada tendem a durar mais contra ruptura do que multifilamento e nylon, mas o poliéster costuma perder as propriedades de jogo (tensão e resposta) bem antes de arrebentar, então "durar mais" nem sempre significa "jogar bem por mais tempo".
Posso trocar de nylon para poliéster sem ajustar nada?
É possível, mas vale ajustar a tensão: poliéster costuma jogar mais firme que nylon ou multifilamento na mesma tensão nominal, então muitos jogadores reduzem um pouco a tensão ao fazer essa troca para manter a sensação parecida.
Tripa natural vale o preço para um jogador recreativo?
Depende do quanto você joga e do que procura. Para quem joga poucas vezes por semana, o custo elevado da tripa pode não compensar frente a um multifilamento de boa qualidade, que entrega parte do conforto por um preço bem mais baixo.