Raquete 16x19 ou 18x20: qual corda e tensão combinam?
Padrão de cordas, tamanho da cabeça e peso mudam o que a raquete precisa. Veja como combinar corda e tensão com o seu quadro sem virar técnico.
Você olha o gargalo da raquete, vê "16x19" ou "18x20", um número tipo 645 cm² e um peso em gramas na etiqueta, e fica sem saber o que fazer com isso na hora de pedir o encordoamento. A resposta curta é esta: quadro com padrão aberto (16x19) e cabeça grande já produz efeito e potência por conta própria, então costuma pedir corda mais durável e controle vindo da tensão. Quadro com padrão fechado (18x20) e cabeça menor entrega controle de fábrica, mas é mais seco e mais duro na mão — aí a corda entra para devolver conforto e um pouco de potência.
Ou seja: a raquete decide o problema, a corda resolve. Não existe "melhor corda" solta no ar; existe a corda que compensa o que o seu quadro exagera. Vamos ver, na prática, o que cada característica faz e como escolher sem ficar testando às cegas por seis meses.
O padrão de cordas muda o efeito e a durabilidade
O padrão é a contagem de cordas verticais (mains) por horizontais (crosses). Num 16x19, as cordas verticais ficam mais espaçadas. Elas se movem mais no impacto, "morde" a bola melhor e voltam ao lugar, o que gera mais rotação. O lado ruim: esse movimento serra a corda. Se você bate com muita rotação e usa multifilamento num 16x19, é normal arrebentar antes do que gostaria.
Num 18x20, as cordas ficam quase encostadas. Movem-se pouco, a bola sai mais baixa e mais previsível, e a corda dura mais tempo em número de partidas — mas o impacto é mais rígido e menos tolerante. Muita gente troca de raquete achando que precisa de "mais controle" e vai para um 18x20 com poliéster duro na tensão que usava antes. O resultado é uma raquete que parece uma tábua e um braço reclamando depois de duas horas.
Regra de bolso que uso na bancada:
- 16x19: poliéster faz sentido, e a tensão pode ficar na parte de cima da sua faixa para segurar a bola dentro.
- 18x20: prefira corda mais macia (multifilamento, ou poliéster mais confortável) e desça de 1 a 2 kg (2 a 4 lb) em relação ao que você usaria num 16x19.
Tamanho da cabeça: quanto maior, mais a tensão importa
Cabeça na faixa de 630 a 645 cm² (98 a 100 sq in) é o território mais comum no clube. Acima disso, entre 660 e 690 cm² (102 a 107 sq in), o plano de cordas fica maior e mais elástico: a mesma tensão "parece" mais solta, a bola sai mais funda e mais alta. Em raquetes de cabeça grande, subir 1 kg (2 lb) muda bastante a sensação.
Cabeça menor, de 600 a 630 cm² (93 a 98 sq in), tem plano curto e menos elástico. Ali a tensão alta castiga: você perde o pouco de conforto que a raquete tem e o ponto doce fica minúsculo. Nessas, tensões mais baixas costumam funcionar melhor até para quem gosta de controle.
Se você quiser entender melhor como escolher o número em si, vale ler o guia de tensão da corda de tênis antes de mexer.
Peso e balanço: quem tem raquete leve precisa de ajuda da corda
Raquete pesada, na faixa de 305 a 320 g encordoada e com balanço mais na mão, já tem massa suficiente para atravessar a bola. Ela absorve mais impacto e aguenta bem poliéster. Raquete leve, de 265 a 290 g, geralmente vem com balanço mais na cabeça para compensar a falta de massa — e transmite mais vibração para o braço.
Na raquete leve, corda rígida em tensão alta é a combinação que mais gera queixa. Se a sua raquete é leve e você joga 3 ou 4 vezes por semana, pense em corda macia e tensão média. Se sentir dor persistente no braço ou no punho, procure um profissional — corda ajuda, mas não é tratamento.
Combinações que funcionam no clube
Use isto como ponto de partida, não como lei:
- 16x19, cabeça de 645 cm² (100 sq in), peso médio, jogador que gira muito a bola: poliéster entre 23 e 25 kg (51 a 55 lb).
- 18x20, cabeça de 630 cm² (98 sq in), quadro mais pesado: poliéster macio entre 21 e 23 kg (46 a 51 lb), ou multifilamento se você valoriza conforto.
- 16x19 ou 16x20, cabeça de 660 cm² ou mais, raquete leve: multifilamento entre 23 e 25 kg (51 a 55 lb) — a cabeça grande já dá potência, a tensão segura.
- Quem quebra corda toda semana num 18x20: híbrido, com poliéster nas verticais e multifilamento nas horizontais. Está tudo explicado em encordoamento híbrido.
Se você não sabe qual família de corda está usando hoje, o guia de tipos de corda de tênis resolve em cinco minutos. E se está vindo de poliéster achando tudo duro, olhe o que muda ao trocar para multifilamento.
Como testar sem virar cobaia
Mude uma variável por vez. Se trocou de corda, mantenha a tensão. Se mexeu na tensão, mexa de 1 kg (2 lb) por vez e jogue pelo menos duas ou três partidas antes de julgar — corda nova sempre parece diferente nos primeiros 30 minutos. Anote no celular a corda, a tensão e a data; sem isso, você esquece e volta à estaca zero. Vale também acompanhar quanto tempo a corda durou, o que ajuda a entender quando trocar a corda.
No fim, é simples: quadro que dá efeito e potência pede corda que dá controle e durabilidade; quadro que dá controle pede corda que dá conforto. Leve essa informação para quem encorda sua raquete — o padrão, o tamanho da cabeça e o peso — e a conversa fica muito mais objetiva. Na Stringa você escolhe a corda e a tensão antes de deixar a raquete: veja as lojas perto de você.
Perguntas frequentes
Onde vejo o padrão de cordas e o tamanho da cabeça da minha raquete?
Na maioria dos modelos, essas informações vêm impressas no gargalo ou na lateral do quadro, junto com a faixa de tensão recomendada pelo fabricante. Se a pintura já apagou, dá para contar as cordas: conte as verticais na parte de cima do aro e as horizontais de um lado. O tamanho da cabeça você acha pelo nome do modelo no site do fabricante, geralmente em polegadas quadradas.
Mudar de 16x19 para 18x20 exige mudar a tensão?
Sim, na prática exige. O 18x20 tem plano mais rígido e mais denso, então a mesma tensão parece bem mais dura e a bola sai mais curta. Comece de 1 a 2 kg (2 a 4 lb) abaixo do número que você usava no 16x19 e ajuste a partir dali. Muita gente também aproveita a troca para usar uma corda mais macia, já que a durabilidade tende a melhorar naturalmente no padrão fechado.
Raquete leve pode usar poliéster?
Pode, mas com cuidado. Raquete leve transmite mais impacto para o braço, e o poliéster é a família de corda menos elástica. Se você faz questão do poliéster por causa da durabilidade, escolha um modelo mais macio e fique na parte baixa da faixa de tensão, algo entre 21 e 23 kg (46 a 51 lb). Se aparecer desconforto no antebraço ou no cotovelo, reduza a tensão, considere multifilamento e procure um profissional.