A corda não arrebentou: preciso trocar mesmo assim?
Sua corda não arrebentou mas o controle sumiu? Entenda perda de tensão, sinais de corda morta e com que frequência trocar conforme seu ritmo de jogo.
Sim, na maioria dos casos você precisa trocar mesmo com a corda inteira. Arrebentar é só uma das formas de a corda acabar, e não é a mais comum entre quem joga com poliéster. A corda perde tensão desde a primeira hora depois de montada e vai endurecendo por dentro: continua bonita, continua no lugar, mas já não devolve energia nem segura a bola como no primeiro dia. Quem só troca quando estoura costuma passar semanas jogando com uma corda que já morreu.
O detalhe cruel é que essa perda é lenta. Você se adapta sem perceber, começa a bater mais forte para conseguir a mesma profundidade, sente o braço mais cansado no fim do treino e acha que é a preparação física. Aí encorda de novo e, nas primeiras bolas, a diferença é gritante. Abaixo estão os sinais objetivos para não depender só da memória, e uma regra de frequência que funciona para o tenista de clube.
O que "corda morta" quer dizer na prática
Uma corda de poliéster novo tem alguma elasticidade: ela estica na batida e volta, jogando a bola para frente. Com o uso, as fibras se acomodam, a corda alonga permanentemente e perde essa capacidade de voltar. O resultado é uma corda que ainda está esticada no quadro, mas que se comporta como um fio duro e sem vida.
Na quadra isso aparece de três formas. Primeiro, a bola sai curta: você bate igual e a bola morre em cima da linha de saque. Segundo, o spin diminui, porque as cordas não deslizam e voltam mais ao lugar como antes. Terceiro, o som muda — aquele "toc" seco no lugar de um estalo mais cheio. Se você já estranhou a sensação de estar batendo numa tábua, era isso.
Os sinais que valem mais que o calendário
Antes de contar semanas, olhe para a raquete e para o seu jogo. Os indicadores mais confiáveis são:
- Cordas serrilhadas no centro. Passe a unha nas cordas centrais: se sentir sulcos e farelo branco (o pó da corda), o desgaste já é grande.
- Cordas fora do lugar o tempo todo. Se você precisa alinhar a cada dois pontos e elas voltam a cruzar sozinhas, a corda está mole e escorregadia.
- Bola curta com o mesmo esforço. Você aumenta a força para chegar ao fundo da quadra e o saque perde peso.
- Controle ruim na direção oposta. Em multifilamento e nylon velhos, a bola às vezes começa a voar longa, porque a tensão caiu muito.
- Braço e cotovelo mais castigados. Poliéster morto vibra e transmite mais impacto. Se houver dor persistente, procure um profissional e não trate isso como problema só de corda.
Um teste caseiro de trinta segundos ajuda: bata com a palma da mão no meio do encordoamento. Corda viva responde com um som mais agudo e ressonante; corda morta dá um baque abafado. Não é ciência exata, mas comparando a mesma raquete de mês em mês você aprende a ouvir a diferença.
A regra da frequência, ajustada ao seu ritmo
A regra clássica é trocar por ano tantas vezes quantas você joga por semana. Joga duas vezes, troque umas duas vezes por ano; joga quatro, quatro vezes. Ela funciona como piso mínimo para quem joga pouco e é conservadora demais para quem joga muito e bate forte.
Para o tenista de clube, um ajuste mais realista por tipo de corda:
- Poliéster: entre 10 e 20 horas de jogo. Quem treina três vezes por semana costuma sentir a queda em cerca de um mês.
- Multifilamento: dura mais em desempenho, mas arrebenta antes; troque quando o jogo mudar ou quando começar a puir.
- Nylon simples: o custo baixo permite trocar sem dó; siga o desgaste visual.
- Tripa natural: mantém sensação por muito tempo, mas é sensível à umidade; a idade e a chuva pesam tanto quanto as horas.
Corda parada também envelhece. Uma raquete encordoada e guardada seis meses perde tensão sozinha, mesmo sem uma bola batida. Se você voltou de uma pausa longa, encorde antes de retomar. Vale lembrar que calor e frio mexem na sensação — esse assunto está detalhado em tensão, verão, inverno e altitude — e que deixar a raquete no porta-malas acelera tudo, como está em raquete no carro.
O que fazer na hora de repor
Se a corda anterior durou pouco demais e você quer estender o intervalo, dá para subir o calibre, como discutimos em 1.25 ou 1.30 mm. Se a queixa é braço dolorido e sensação dura, o caminho costuma ser outro: trocar poliéster por multifilamento ou montar um híbrido.
Um cuidado comum: ao repetir a mesma corda, repita também a tensão e anote. Se você pediu 24 kg (53 lb) e achou solto no fim da vida útil, não suba três quilos de uma vez — um quilo já se sente. E se a dúvida é o número de partida, comece pelo básico em como escolher a tensão.
Fechamento prático
Anote a data do encordoamento em um pedaço de fita no cabo ou no celular. Some as horas de jogo do mês. Se passar de 15 horas com poliéster, ou se dois dos sinais acima aparecerem juntos, marque a troca sem esperar o estouro. Você vai jogar melhor e gastar menos energia para fazer a mesma bola.
Quando decidir trocar, dá para resolver em poucos minutos pelo app da Stringa: veja as lojas perto de você, escolha corda e tensão e leve a raquete ou chame o motoboy.
Perguntas frequentes
Trocar corda inteira não é desperdício de dinheiro?
É o contrário: jogar com corda morta é que custa caro, porque você compensa com mais esforço e piora a técnica. Com um encordoamento saindo em geral entre R$ 60 e R$ 150, dependendo da corda e da loja, o custo mensal de quem joga três vezes por semana costuma ser menor que o de uma lata de bolas por semana. Se o valor pesa, use uma corda de nylon ou um poliéster mais barato e troque com mais frequência.
Dá para saber a perda de tensão sem aparelho?
Dá para estimar. O som ao bater com a mão no encordoamento, a facilidade de afundar o dedo entre as cordas e o quanto elas saem do lugar já dizem muito. Comparar sua raquete com a de um parceiro que acabou de encordar é o teste mais honesto. Medidores existem, mas para o jogador de clube a sensação de bola, somada às horas de jogo, resolve a decisão.
Se eu jogo só uma vez por semana, preciso trocar mesmo assim?
Precisa, só que por outro motivo. Mesmo com pouco uso, a corda perde tensão com o tempo e o poliéster endurece dentro do quadro. Para quem joga uma vez por semana, duas trocas por ano costumam manter a raquete em condição decente. Se você fica meses sem jogar, encorde antes de voltar em vez de depender da corda antiga.